Regras de validação de peças
Última atualização: 18/06/2026, 01:34
As regras de validação são o controle de qualidade do sistema. Antes de autorizar uma ordem de produção, cada peça passa por uma bateria de checagens (até 21 delas). Para cada checagem, você decide o que o sistema faz quando encontra um problema: bloqueia, avisa ou ignora.
Onde fica: Configurações > Validações.
Os três níveis de resposta
Erro: bloqueia. A ordem não autoriza enquanto o problema existir.
Aviso: avisa, mas libera. Aparece um alerta e você decide se segue.
Ignorar: desliga a checagem. O sistema nem olha.
Pense nesses três níveis como o critério de um marceneiro experiente: tem defeito que ele não deixa passar de jeito nenhum (erro), tem coisa que ele aponta mas deixa você decidir (aviso) e tem detalhe que para a sua fábrica não importa (ignorar).
Como alterar uma regra
Cada regra é uma linha com um ícone, o nome, uma explicação e um seletor com Erro, Aviso ou Ignorar. Escolha o nível no seletor. Algumas regras têm um número ou uma caixa de marcar logo abaixo da descrição (um parâmetro ajustável), e você muda ali. Quando terminar, a barra de salvar aparece no rodapé: clique em Salvar.
Para voltar uma regra ao padrão de fábrica, use o botão de restaurar na própria linha. Para voltar tudo ao padrão de uma vez, use o Restaurar tudo na barra inferior.
As regras que você mexeu ficam com a borda e o fundo em ciano, para você enxergar o que mudou. Uma regra em "Ignorar" fica com a cor mais apagada.
Atenção: depois de salvar, aparece um aviso: "Revalide as peças das OPs em análise para aplicar a mudança." Isso porque as peças já tinham sido conferidas com as regras antigas. Sem revalidar, quando você for autorizar, o sistema vai pedir a revalidação antes de continuar.
As checagens, em linguagem de marceneiro
São muitas regras, mas a ideia de cada uma é simples. As principais:
Profundidade vs espessura: confere se um furo ou usinagem não é mais fundo do que a peça aguenta. Tem ajuste automático ligado por padrão (explicado abaixo).
Dentro dos limites: confere se um rasgo, rebaixo ou gravação não vaza para fora da face. Também tem ajuste automático.
Polígono dentro dos limites: o mesmo, para o contorno da peça.
Peça cabe na chapa: confere se a peça cabe na área útil da chapa, descontando a margem de borda e o espaço da fresa, não só o tamanho cheio da placa.
Operações opostas: alerta quando há furos batendo um no outro, vindos de lados opostos.
Geometria de chanfro e arredondamento: confere se o chanfro e o arredondamento têm medidas que fazem sentido.
Ferramenta existe e ferramenta compatível: confere se a ferramenta apontada para a operação existe e serve.
Sem ferramenta no router: confere se há mesmo uma broca ou fresa que faça cada operação. É uma das mais importantes; veja a seção Quando a máquina não tem a ferramenta certa.
Proximidade de borda: avisa quando um furo está perto demais da borda (perto de quatro milímetros).
Compatibilidade de veio: avisa quando a peça sairia com o veio na direção errada.
Integridade estrutural: avisa quando a peça fica frágil demais por causa das usinagens.
Operações duplicadas: avisa quando há furos repetidos no mesmo lugar.
Faixa de diâmetro de furo: avisa quando o diâmetro do furo está fora da faixa que as brocas cobrem.
Cobertura da furadeira: avisa quando nenhum centro de furação tem broca ou serra para a face que a peça precisa.
Virar peças com usinagem só na face inferior: vira a peça para ela ir à router por cima, numa passada só. Tem ajuste automático explicado abaixo.
Fita em borda com furo: avisa quando há fita de borda numa aresta que tem furo, rasgo ou rebaixo, porque a fita rompe no furo.
Os três ajustes automáticos (ligados por padrão)
Três regras não só apontam o problema: elas corrigem sozinhas, quando dá. Vêm ligadas de fábrica e poupam você de mexer peça por peça.
Ajuste de furo passante
Quando o projeto manda um furo que atravessa a peça, mas a profundidade vem maior que a espessura, o sistema corta essa profundidade para a espessura mais uma folga pequena (só o suficiente para a broca sair limpa do outro lado). O problema vira um aviso, não um erro. A folga padrão é configurável (parâmetro "Folga de furo passante"). O sistema só faz isso em peças que ainda não entraram no corte, e restaura o valor original se a condição mudar (por exemplo, se você trocar a espessura).
Ajuste de usinagem fora dos limites
Quando um rasgo, uma gravação ou um rebaixo retangular vaza um pouco para fora da face, o sistema recua a usinagem para dentro da peça. O problema vira aviso. Vale só para rasgos e rebaixos retangulares e alinhados aos eixos. O sistema não recua furo (mover furo nunca é inofensivo), nem rasgo na diagonal, nem o caso em que recuar deixaria a usinagem com tamanho zero (sinal de que a operação está totalmente fora da peça). Esses continuam como erro.
Virada de peças com usinagem só na face inferior
Quando a peça tem furos ou usinagem só na face de baixo, e nada em cima, o sistema vira ela "de barriga para cima" para a router fazer tudo por cima, numa passada só, sem o operador precisar virar a peça na mão. A peça vira com a geometria espelhada e ganha o aviso "VIRADA" na etiqueta, com a instrução de que a etiqueta vai na face de baixo da peça.
Essa virada só acontece em chapas com Faces idênticas marcado. Em chapa bicolor ou melamina de um lado só, a peça não vira. Para saber como configurar esse campo na chapa, veja Catálogo de chapas.
Atenção: se a sua conta tem um centro de furação, e mesmo assim você ligou a virada, a peça vai para a router de qualquer jeito. A regra de virada manda na frente. Na própria tela da regra aparece uma nota lembrando disso.
Os parâmetros ajustáveis e o que cada um faz
Algumas regras têm um número para você calibrar:
Margem permitida (mm): o limite de profundidade. Atenção: esse mesmo valor define o limite de quanto o programa pode descer na mesa de sacrifício. Mexer aqui mexe no G-code.
Folga de furo passante (mm): quanto a broca passa do outro lado, no ajuste automático de furo passante.
Distância mínima (mm): o quão perto da borda um furo pode ficar antes de virar aviso.
Limite (%): o percentual usado na integridade estrutural.
Mínimo e máximo do chanfro: a faixa aceitável de chanfro.
Mínimo e máximo do furo (mm): a faixa de diâmetro de furo que a furadeira cobre.
Tolerância (mm): a folga geral usada em algumas comparações de medida.
Se algo der errado
A ordem não autoriza e aparece "validation_errors", ou o sistema pede para revalidar. Na hora de autorizar, ou aparece um pedido de "Revalidar peças", ou as peças mostram um selo de erro de validação. As causas: ou você mudou as regras depois que as peças foram conferidas, ou há peças com erro que não foi resolvido. As saídas: clique em Revalidar peças na ordem (isso reconfere todas as peças que ainda estão na fila, com as regras novas); corrija o problema de verdade (cadastre a ferramenta, ajuste a dimensão, ignore a operação); ou, se o risco for aceitável para a sua fábrica, mude a regra de Erro para Aviso.
Aparecem muitos avisos que não importam. Em geral a regra está sensível demais para o tipo de peça. As saídas: ajuste o parâmetro (diminua a distância mínima, por exemplo), ou mude a regra de Aviso para Ignorar, ciente do risco.
O furo passante continua dando erro mesmo com o ajuste automático ligado. Pode ser que "Ajustar furo passante automaticamente" não esteja marcado; que aquele furo esteja num layer com profundidade travada na mão; ou que alguém tenha editado a profundidade manualmente na peça e o sistema preservou. As saídas: ligue o ajuste automático e revalide a peça, ou edite a profundidade na mão no detalhe da peça.
O rasgo ou rebaixo continua dando erro mesmo depois de ligar o recuo automático. Quase sempre é um dos casos que o recuo não trata: a operação é furo (não recuável), o rasgo é diagonal, ou recuar deixaria a operação com tamanho zero (ou seja, ela está totalmente fora da peça). As saídas: corrija a posição no projeto, ignore a operação se ela é dispensável, ou reveja o arquivo se o recuo daria zero.
A peça foi virada para a router, mas a fita de borda ficou no lado errado. A virada espelha a geometria, e a etiqueta cola na face de baixo real (que foi cortada para cima na chapa). A saída é conferir a orientação antes de colar a fita e prestar atenção no aviso "VIRADA" na etiqueta.
O aviso "Fita em Borda com Furo" aparece, mas a fita é intencional. É um projeto legítimo onde a fita vai mesmo numa borda com furo aparente. As saídas: mude a regra de Aviso para Ignorar, ou aceite o aviso sabendo que a fita vai romper no ponto do furo.
A regra "Sem Ferramenta no Router" bloqueia a autorização. A peça fica com erro vermelho dizendo que nenhuma ferramenta faz aquela operação. Acontece quando o furo é menor que a menor fresa e não há broca, quando a ferramenta certa está marcada como excluída do automático, ou quando a operação foi para a router quando deveria ir ao centro de furação. As saídas: cadastre a broca ou fresa do diâmetro certo; crie uma regra de roteamento mandando a operação para o centro de furação; ignore a operação na peça; ou ajuste a convenção de camadas. Para detalhes, veja Quando a máquina não tem a ferramenta certa.
Você mexeu na margem de profundidade e o programa passou a descer mais na mesa de sacrifício. É esperado: a margem de profundidade é o mesmo valor que define o limite Z do programa. Aumentar a margem deixa a ferramenta descer mais. Ajuste com cuidado, porque esse valor também é o que o conferidor de G-code usa.